SOSÍGENES COSTA, POÉTICA LAPIDADA * ANTONIO CABRAL FILHO – RJ

DUAS FESTAS NO MAR
 
Uma sereia encontrou
um livro de Freud no mar.
Ficou sabendo de coisas
que o rei do mar nem sonhava.
 
Quando a sereia leu Freud,
sobre uma estrela do mar,
tirou o pano de prata
que usava para esconder
a sua cauda de peixe.
 
E o mar então deu uma festa.
 
E no outro dia a sereia
achou um livro de Marx
dentro de um búzio do mar.
 
Quando a sereia leu Marx
ficou sabendo de coisas
que o rei do mar nem sonhava
nem a rainha do mar.
 
Tirou então a coroa
que usava para dizer
que não era igual aos peixinhos.
Quebrou na pedra a coroa.
 
E houve outra festa no mar.
(1934)
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